"Quem me dera encontrar o verso puro, O verso altivo e forte, estranho e duro, Que dissesse a chorar isto que sinto!"
Florbela Espanca

6 de fevereiro de 2012

GABRIELA MISTRAL

Poetisa chilena (7/4/1889-10/1/1957). É a primeira escritora latino-americana a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1945. Sua poesia única e repleta de imagens singulares não mostra influências do modernismo nem das vanguardas.
Descendente de espanhóis, bascos e índios, Lucila Godoy Alcayaga nasce em Vicuña, uma vila do norte do Chile. Com apenas 15 anos dá aulas. Seu noivo comete suicídio em 1907, fato que marca sua obra e sua vida. Ela nunca se casa e se dedica somente ao trabalho.
Vence um concurso literário chileno em 1914 com Sonetos de la Muerte, assinados com o pseudônimo Gabriela Mistral, formado a partir do nome de dois poetas que admira, o italiano Gabriele D''Annunzio e o francês Frédéric Mistral.
Seu primeiro livro de poesias, Desolación (1922), inclui o poema Dolor, no qual fala da perda do amado. O sentimento de maternidade frustrada aparece nos trabalhos seguintes, Ternura (1924) e Tala (1938). Colabora na reforma educacional do México e do Chile.
Representa seu país como consulesa em Nápoles, Madri, Lisboa e Rio de Janeiro. Em 1954 publica Lagar. Leciona literatura espanhola na Universidade de Columbia. Morre em Hempstead, no estado de Nova York. (Fonte: Net)

1 de fevereiro de 2012

VICTORIA ALEXANDRINA DE WINDSOR

(1819-1901)
Rainha reinante do Reino Unido, desde 1837.
Filha de Eduardo (4º filho de filho de Jorge III), duque de Kent e de Victoria Maria Louisa de Saxe-Coburgo, irmã do rei Leopoldo da Bélgica.
O pai morreu quando apenas contava oito meses. Com a morte de Jorge IV, em 1830, o irmão Guilherme IV torna-se rei, mas morre quando a filha tinha apenas oito anos. Victoria casou, em 1840, com o primo Alberto de Saxe-Coburgo, de quem teve nove filhos.
O longo reinado de Victoria passou por diversas fases. Conheceu a Guerra da Crimeia em 1854-56, problemas na Índia, de que foi imperatriz a partir de 1876, a Guerra dos Boers na África do Sul e a sucessão de Primeiros-ministros, de que se destacaram Lord Melbourne, William Gladstone, Disraeli e o marquês de Salisbury, que fizeram do seu reinado uma época de desenvolvimento embora conservadora e puritana, daí a expressão de "época vitoriana".
Victória depois de enviuvar, em 1861 passou a refugiar-se mais no seu Castelo de Balmoral, na Escócia, e depois de um período de alheamento passou a estar atenta às reformas sociais e ao incremento do capitalismo.
O seu Primeiro-ministro conservador Disraeli deu-lhe uma projecção assinalável, a partir de 1874.
Foi mãe de Eduardo VII, rei amigo do monarca D. Carlos e D. Amélia.
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Fonte Net

27 de janeiro de 2012

SELMA OTTILIANA LOVISA LAGERLÖF

Selma Ottiliana Lovisa Lagerlöf(1858-1940)
Escritora sueca, detentora do 1º Prémio Nobel da Literatura para uma mulher, nasceu em Marbacka. Antes deste prémio já a Universidade de Upsala a distinguira com o doutoramento honoris causa, em 1907. Em 1882 terminou o curso de educadora infantil e durante dez anos foi professora. O primeiro romance foi "Lenda de Gosta Berling", 1891 que teve o apoio da baronesa Sophie Aldesparre, livro transposto para o cinema mais tarde, tendo como protagonista Greta Garbo, também sueca. Em 1984 edita o segundo livro e conhece aquela que vai ser a sua amiga sentimental de toda uma vida - Sofia Elkan.




O pai de Selma, militar reformado vendeu, devido a dívidas, a casa de família que mais tarde Selma conseguiu recuperar. O seu mais fabuloso sucesso editorial foi "A Viagem Maravilhosa de Nils Holgerssn pela Suécia", publicado, em 1906 e que foi traduzido em quase todas as línguas. Os seus textos escritos para crianças e jovens são maravilhosos e retratam a Suécia. No entanto Selma escreveu também "Lendas de Jerusalém", 1902 e "Lendas de Cristo", 1904.
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Fonte Net

22 de janeiro de 2012

DEUSA FLORA



Flora, na mitologia romana, é uma ninfa das Ilhas Afortunadas. Esposa de Zéfiro e deusa das flores. Na Grécia é chamada de Clóris.
Flora é a potência da natureza que faz florir as árvores e preside a “tudo que floresce”. A lenda pretende que Flora foi introduzida em Roma (tal como Fides) por Tito Tácito, juntamente com outras divindades sabinas. Era honrada quer por populações itálicas não latinas como latinas. Algumas populações sabinas tinham-lhe consagrado um mês, o correspondente a Abril do calendário romano.
Ovídio relacionava com o nome de Flora um Mito helênico, supondo que, na realidade, ela era uma ninfa grega denominada Clóris. Num dia de Primavera em que Flora errava pelos campos, o deus do vento, Zéfiro, viu-a, apaixonou-se por ela e raptou-a. Desposou-a, em seguida, num casamento público. Zéfiro concedeu a Flora, como recompensa e por amor, o reinar sobre as flores, não só sobre as dos jardins como, também, sobre as dos campos cultivados. O mel é considerado como um dos presentes que Flora ofertou aos homens, tal como as sementes das inumeráveis variedades de flores. Ao narrar esta lenda, de que é talvez o inventor, Ovídio refere explicitamente o rapto de Orítia por Bóreas. Este rapto é, sem dúvida, o seu modelo, mas acrescenta-lhe um episódio singular; é Flora quem está na origem do nascimento de Marte. Juno, irritada com o nascimento de Minerva, saída espontaneamente da cabeça de Júpiter, quis conceber um filho sem o auxílio de um elemento masculino. Dirigiu-se a Flora, que lhe deu uma flor cujo simples contacto era suficiente para fecundar uma mulher. Foi assim que Juno, sem se unir a Júpiter, deu à luz o deus cujo nome é o do primeiro mês de Primavera.
Flora tinha um sacerdote particular em Roma, um dos doze flâmines menores, que eram considerados como instituídos por Numa. Celebravam-se em sua honra as Floralia, caracterizadas por jogos em que participavam as cortesãs.
fonte Net.

17 de janeiro de 2012

MULHERES POSSÍVEIS ( TEXTO DE MARTHA MEDEIROS)

"Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.
Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.
Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou:
Trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.Você não é Nossa Senhora.Você é, humildemente, uma mulher. E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.
Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.
Tempo para fazer nada.Tempo para fazer tudo.Tempo para dançar sozinha na sala.Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.Tempo para sumir dois dias com seu amor.Três dias. Cinco dias! Tempo para uma massagem.Tempo para ver a novela.Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.Tempo para fazer um trabalho voluntário.Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.Tempo para conhecer outras pessoas.Voltar a estudar. Para engravidar.Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si. Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela. Desacelerar tem um custo.
Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante.”
(Texto de Martha Medeiros)

12 de janeiro de 2012

MADAME BOVARY - GUSTAVE FLAUBERT

Madame Bovary é um romance escrito por Gustave Flaubert que resultou num escândalo ao ser publicado em 1857. Quando o livro foi lançado, houve na França um grande interesse pelo romance, pois levou seu autor a julgamento.
Ele foi levado aos tribunais(Onde utilizou a famosa frase "Emma Bovary c'est moi" (Emma Bovary sou eu) para se defender das acusações) acusado de ofensa à moral e à religião, num processo contra o autor e também contra Laurent Pichat, diretor da revista Revue de Paris, em que a história foi publicada pela primeira vez, em episódios e com alguns pequenos cortes. A Sexta Corte Correcional do Tribunal do Sena absolveu Flaubert, mas o mesmo procedimento não foi adotado pelos críticos puritanos da época, que não perdoaram o autor pelo tratamento cru que ele tinha dado, no romance, ao tema do adultério, pela crítica ao clero e à burguesia: (Gostava do mar apenas pelas suas tempestades e da verdura só quando a encontrava espalhada entre ruínas. Tinha necessidade de tirar de tudo uma espécie de benefício pessoal e rejeitava como inútil o que quer que não contribuísse para a satisfação imediata de um desejo do seu coração - tendo um temperamento mais sentimental do que artístico e interessando-se mais por emoções do que por paisagens. É considerada por alguns autores como a primeira obra da literatura realista.
Gustave Flaubert (1821-1880), o criador deste que é por muitos considerado o ápice da narrativa longa do século XIX - o chamado século de ouro do romance. Flaubert, o esteta, aquele que buscava o mot juste (a palavra exata) e burilava os seus textos por anos a fio, imbuiu-se da consciência e da sensibilidade da sua personagem. Atingiu, com a irretocável prosa de Madame Bovary, um dos mais altos graus de penetração e análise psicológica da literatura universal.
Madame Bovary é uma obra capital na literatura do seu tempo, um daqueles livros que dão início a uma época literária. Tomando propositadamente um tema sem grandeza aparente, Flaubert quis obrigar o seu talento a enfrentar dificuldades técnicas que o levassem a vencer o romantismo exacerbado que o dominava. O resultado foi a obra-prima que o leitor tem em mãos e que Émile Zola descreveu da seguinte maneira: «Quando Madame Bovary apareceu, foi uma completa revolução literária. Teve-se a impressão de que a fórmula do romance moderno, esparsa pela obra colossal de Balzac, fora reduzida e claramente enunciada nas quatrocentas páginas de um único livro. Estava escrito o código da nova arte».


O romance conta a história de Emma, uma mulher sonhadora pequeno-burguesa, criada no campo, que aprendeu a ver a vida através da literatura sentimental. Bonita e requintada para os padrões provincianos, casa-se com Charles, um médico interiorano tão apaixonado pela esposa quanto entediante. Nem mesmo o nascimento da filha dá alegria ao indissolúvel casamento ao qual a protagonista se sente presa. Como Dom Quixote, que leu romances de cavalaria demais e pôs-se a guerrear com moinhos...

(Fonte: Net)

7 de janeiro de 2012

DORA MAAR


Alinhar ao centro Dora Maar
1907 - 1997
(Fotógrafa e pintora francesa)

Fotógrafa e pintora francesa nascida em Tours, Oeste da França, que viveu (1936-1943) com o famoso Pablo Picasso e posou como modelo para alguns quadros do pintor, além de fotografar o processo de criação da obra Guernica (1937). Filha de pai iugoslavo e de mãe francesa da região de Touraine, ela cresceu na Argentina.Apresentada a Picasso pelo poeta Paul Eluard (1936) no terraço do café Les Deux Magots, em Saint-Germain-des Prés e logo sentiu-se atraído pela sua beleza e rapidamente se tornou a mulher mais importante da sua vida. Com pouco mais de 30 anos e com uma personalidade forte e séria, logo tornou-se, ao contrário de Olga e Marie Thérèse, capaz de compreender e até ajudar Picasso no seu trabalho. E assim iniciou-se uma relação profissional e íntima, no flat da Rue de la Boetie, onde o artista pintou série de gravuras que com ela como modelo, em vários retratos seus reconhecidamente relacionados uns com os outros
O relacionamento durou por cerca de nove anos, justamente durante os negros anos das guerras da Espanha e Mundial. Mas a convivência do pintor com Marie Thérèse continuava, e durante anos ele alternou visitas a Marie Thérèse e sua filha Maya com viagens ao sul da França e outras partes, em que ia acompanhado pela pintora francesa. A relação começou a se degradar após ela se descobrir uma mulher estéril e, nesta perspectiva, incapaz de concorrer com a rival Marie-Thérèse Walter. Morreu em Paris, França.

Fotos de autoria de Dora Maar

Fonte:Net

2 de janeiro de 2012

DÉLIA, MARIA BENEDITA CÂMARA BORMANN (PERSONAGEM REVOLUCIONÁRIA)


Surpresa maior é a obra da gaúcha Délia (nascida em 1853), pseudônimo de Maria Benedita Câmara Bormann. Em 1890, Délia publicou o romance "Lésbia", história cuja heroína é uma escritora que se separa do marido porque este não admite a superioridade intelectual da mulher e caçoa quando esta expressa suas idéias.
Toda a obra de Délia, conforme explica Norma Telles, já naquela época questiona o casamento -que ela considera o "local da anulação do corpo e da mente"- por meio de personagens femininas que ansiavam por independência, autonomia financeira, intelectual e sexual numa sociedade que julgavam hipócrita.
Diante da rudeza dos homens e da superficialidade das mulheres de sua época, Délia chegou a desejar que "houvesse um sexo neutro".
"Há momentos em que, precisando sentir a posse de mim mesma, abstraio-me deste mundo, elevo-me nas asas da fantasia e vôo vertiginosamente por aí além, vivendo horas que os próprios deuses invejam. (...) Cada indivíduo é destinado a sentir na vida a vibração exclusiva de uma de suas fibras afetivas, eu fui votada ao que sinto, submeti-me ao seu império, mas recuso viver sem retribuição: nasci passiva, como todos os que esperam; parto revoltada, como todos os oprimidos! E a tu, a quem não conheço, cujo olhar me fita compassiva, sê feliz, aceita meu último suspiro e meu supremo ósculo!... Adeus!..."("Nevrose", de Délia, pseudônimo de Maria Benedita Câmara Bormann)

28 de dezembro de 2011

MONJA COEN

‘Nossa história é uma história de guerras e conquistas. Já passamosda fase de ser guerreiros, precisamos de uma cultura de paz’ - Monja Coen
Em tempos de guerra o ofício de Claudia Souza ganha mais relevância. Zen-budista há 20 anos, monja Coen, como é conhecida, fez da criação de uma cultura de não violência sua missão na terra. “Nossa história é uma história de guerras e conquistas. Já passamos da fase de ser guerreiros, precisamos de uma cultura de paz.” A monja é um exemplo de que ser zen não é se retirar do mundo, mas ser ativo nas questões. Há dois anos, ela criou caminhadas com meditação nos parques de São Paulo. Todo terceiro domingo do mês, ela passeia pelo Parque da Água Branca, na região central da cidade, meditando, acompanhada de seguidores. “A energia da meditação é muito forte”, diz ela, que já promoveu encontros em outros parques públicos, na periferia e até na Praça da Sé, marco zero de São Paulo, para irradiar essa energia para a cidade. Além disso, ela faz palestras onde é convidada. “Minha missão é divulgar, expandir, abrir os caminhos para Buda. É como um canal de tevê. As pessoas podem ligar no canal Buda”, diz ela.
Olhos expressivos, tom de voz baixo, monja Coen, 56 anos, era jornalista nos anos 60. Abandonou um casamento, deixou a filha com a mãe, e partiu para os Estados Unidos onde foi buscar o caminho da meditação zen-budista. Depois seguiu para o Japão para se aprofundar nos estudos. Sem falar japonês, passou os três primeiros meses em clausura total. Após dois anos, teve autorização para aprender a língua. Lá, ela se casou com um monge 18 anos mais jovem e permaneceram juntos por dez anos. O casamento acabou aqui no Brasil – ele queria ter filhos e ela não podia mais. “Foi sem o menor rancor por parte dos dois. Acho importante as pessoas terminarem relacionamentos sem ficar com raiva um do outro”, diz ela. De volta a São Paulo desde 1995, após 19 anos longe do País, não se arrepende da escolha: “Posso fazer um trabalho missionário maior no Brasil." (fonte Net)

23 de dezembro de 2011

A LIBERDADE DAS MULHERES - SIMONE ANDREA

Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós. Esse é o e estribilho de um velho samba, cujo título e intérprete não me recordo.Antes que vocês fiquem chocadas(os), vou avisando: sei, sim, que esse é um verso tirado do Hino da Proclamação da República.Muito já foi dito sobre a igualdade entre homens e mulheres. Porém, pouco se comenta sobre o direito de liberdade da mulher. Todo mundo repete que a igualdade entre os sexos está praticamente completa (!), fala-se em "pós-feminismo", mas há eventos nos quais se evidencia a desigualdade, que assume proporções dramáticas quando a mulher quer ser tão livre quanto o homem. Não somos ainda.O Feminismo trouxe-nos o sufrágio, o direito de igualdade na Constituição e nas leis, o acesso ao mercado de trabalho e muitas conquistas. Porém, o Feminismo majoritário não ousou romper com certos dogmas da feminilidade, que nos constrangem e restringem nossa liberdade, a saber: a idealização da mulher, o altruísmo forçado, a sagração da maternidade e a reprovação do individualismo, do sexo e do prazer. Não fomos educadas para a liberdade. Não somos admitidas no exercício individual nem social da liberdade. Nossas mães foram contra a nossa liberdade. A maioria das mulheres é contra a liberdade.Volto ao assunto aleitamento materno em razão de ser oportuno fazê-lo. Na "VEJA" da semana passada, na seção "Frases", há uma frase dita pela atriz Mariana Ximenes em programa de televisão, segundo a qual, "quando você amamenta, a libido vai para o pé". Ao que Fernanda Young respondeu: "E os peitos também".É sabido que o aleitamento leva ao ressecamento da vagina.A mulher tem o direito de escolher entre o sexo e a amamentação. Porém, há mulheres, inclusive que se dizem feministas, que não aceitam isso. A mulher tem, sim, o direito de colocar a si mesma acima da maternidade. Tem, sim, direito de ser individualista, e o Estado, a sociedade, a família e os amigos têm que respeitar sua opção.As mulheres contrárias à liberdade odeiam as mulheres livres. As lobas. As indomáveis. As de coração selvagem e todo-poderoso.Nosso coração é a nossa coisa mais livre. Nele, podemos tudo!As detratoras da liberdade de suas pares não entendem isso. Nelas, o coração não pode tudo. Ou pode nada.Quem são as detratoras da liberdade?As homófobas que, com medo de terem filhos gays, educam seus meninos para serem machinhos grosseiros; as que dizem, "não sou feminista, sou feminina"; as que acham aceitável as mulheres serem discriminadas segundo o seu estado civil; as que são contrárias à liberdade igual para ambos os sexos; as que dão às filhas educação diferente da dos filhos, dando às primeiras, claro, menos liberdade; as que acham que a mulher tem que colocar os filhos acima de si mesmas, que a mulher não pode ser tão individualista quanto o homem; as que falam num tom de voz tão meloso que chega a ser humilhante; as que aceitam as regras discriminatórias e humilhantes para o sexo feminino.São, sobretudo, as que não querem mudar, pagando o preço da liberdade, que é pegar a própria história na mão, cuidar de si mesmas e não ser sustentada por nenhum homem. Isso requer trabalho, estudo, coragem, trabalho, trabalho, luta, luta. Como pode uma mulher, por exemplo, querer ser juíza do trabalho, se não trabalha, mas depende de um macho? Como pode uma mulher reclamar da atuação dos politicos se ela enche a boca para dizer que odeia política e bufa quando o pai, marido ou companheiro põe na TV Câmara? Se ela despreza o sufrágio, a duras penas obtido? Tem sujeitinha que preferiria poder entregar o título de eleitor para o seu "senhor" votar por ela. Se a mulher se acha superior adotando posturas dependentes e alienadas como essas, é uma detratora da liberdade.O mundo está cheio de mulhere que, com suas atitudes compatíveis com o estereótipo negativo da feminilidade, põem lenha na fogueira do machismo. E as reacionárias! Como são numerosas! Foram elas que saíram em peso nas "Marchas da Família com Deus (!) pela Liberdade(?)". Deram no que deram. Certa vez, um homem me telefonou para dizer que conhecia muito mais mulheres antiaborto do que homens. Se essa constatação é verdadeira, não sei, mas era a experiência cotidiana desse homem. O fato é que a única Ministra do STF votou pela cassação da liminar que permitia a antecipação do parto dos fetos anencefálicos. Sobre o tema, aliás, vale ler o artigo do jurista Luís Roberto Barroso, na Revista de Direito Administrativo n. 241. Pois bem. Temos que retomar o Feminismo, mas dele fazer uma corrente jusfilosófica que, efetivamente, tenha um compromisso com a libertação de mulheres e também de homens. O nosso Feminismo chegou apenas até a metade do caminho: precisa romper com a idealização de homens e de mulheres; tem que propor a superação da condição feminina, para que alcancemos a condição humana. "Como assim"?As mulheres têm que parar de querer idealizar a si mesmas, tentando provar aos homens que são "superiores" a eles, que são "mais sensíveis", "menos egoístas", "mais solidárias", "mais fortes", porque isso só nos traz maiores encargos e menores direitos de fato. Exemplo disso já dei, a da "ditadura da amamentação", pois as mulheres não romperam com o altruísmo forçado de sua condição feminina, com a sacralização da maternidade. A mulher tem o mesmo direito de gozar a vida que o homem. Temos que assumir postura corajosa nesse sentido, rechaçando quaisquer ideais de pureza, de santidade, assumindo que somos seres dotados de sexo e que isso é importante para nós. Mais: que temos o direito de escolher com quem, quando e onde. Temos o direito de vivermos livres de preconceito e de discriminação de sexo; de não ouvirmos piadas de loura e quejandas; de sermos tratadas como adultas, e não como crianças grandes; de competirmos em igualdade de condições com os homens e com outras mulheres; de sermos ambiciosas; de sermos agressivas; de ousarmos lutar e vencer.Enfim, temos o direito de sermos vistas como seres humanos, e não apenas dicotomizadas como somos, em "santas" ou "diabas": de um lado, as cordatas detratoras da liberdade; do outro, as que ousam ser livres.
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SIMONE ANDREA é autora de "Direitos da Filha e Direitos Fundamentais da Mulher" (Ed. Juruá); "Liberdade de Manifestação do Pensamento do Servidor Público" e "Um Caso de Omissão Inconstitucional" (artigos publicados).