As terras espirituais da Mulher Selvagem, durante o curso da história, foram saqueadas ou queimadas, com seus refúgios destruídos e seus ciclos naturais transformados à força em ritmos artificiais para agradar os outros.
trecho do Livro Mulheres que correm com os Lobos
de: Clarissa Pinkola

12 de Julho de 2009

POEMA DA AMANTE (ADALGISA NERY)


Eu te amo
Antes e depois de todos os acontecimentos
Na profunda imensidade do vazio
E a cada lágrima dos meus pensamentos.

Eu te amo
Em todos os ventos que cantam,
Em todas as sombras que choram,
Na extensão infinita do tempo
Até a região onde os silêncios moram.

Eu te amo
Em todas as transformações da vida,
Em todos os caminhos do medo,
Na angústia da vontade perdida
E na dor que se veste em segredo.

Eu te amo
Em tudo que estás presente,
No olhar dos astros que te alcançam
Em tudo que ainda estás ausente.

Eu te amo
Desde a criação das águas,
desde a idéia do fogo
E antes do primeiro riso e da primeira mágoa.

Eu te amo perdidamente
Desde a grande nebulosa
Até depois que o universo cair sobre mim
Suavemente.

Adalgisa Néri
(fonte: Net)

9 de Julho de 2009

ADALGYSA NERY

Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira, conhecida como Adalgisa Nery, (Rio de Janeiro 29 de outubro de 1905 -07 de junho de 1980), foi uma poetisa e jornalista brasileira.

Adalgisa nasceu menina pobre e teve uma infância triste. Era filha de um advogado do Rio de Janeiro e ficou órfã de mãe aos 8 anos de idade. Estudou como interna em um colégio de freiras e, naquela época, já era vista como "subversiva" por defender as "órfãs" (categoria comum nos colégios religiosos da época), consideradas subalternas e maltratadas. Por essa razão, acabou sendo expulsa da escola. Portanto, única educação formal que recebeu na vida foi a do curso primário, feito dos 9 aos 12 anos.
Aos 15 anos apaixonou-se por um vizinho, o pintor Ismael Nery, um dos precursores do Modernismo no Brasil, com quem casou aos 16 anos. O casamento durou 12 anos, até a morte do pintor em 1934. A partir do casamento, Adalgisa mergulhou em uma vida trepidante, que lhe proporcionou a entrada em um sofisticado circuito intelectual graças a freqüentes reuniões em sua casa, uma estada de dois anos na Europa com o marido, e a conseqüente aquisição de cultura. Mas a vida de Adalgisa foi também muito marcada pelo sofrimento e pela relação conflituosa, muitas vezes violenta, com o marido. O casal teve sete filhos, todos homens, mas somente o mais velho, Ivan, e o caçula, Emmanuel sobreviveram.
Em 1959 publicou o romance autobiográfico A Imaginária, que se tornou seu maior sucesso editorial. Adalgisa, usando como alter ego a personagem Berenice, descreveu como o fascínio que sentia pelo marido no início do casamento foi substituído por um verdadeiro sentimento de terror pela violência que ele podia assumir na vida cotidiana.
Viúva aos 29 anos, sem muitos recursos e com dois filhos para criar, Adalgisa foi trabalhar primeiro na Caixa Econômica, mas depois conseguiu arranjar um cargo no Conselho do Comércio Exterior do Itamaraty.
Em 1937 lançou um primeiro livro de poesia, intitulado Poemas. Em 1940 casou-se com o jornalista e advogado Lourival Fontes. Seguiu o marido em funções diplomáticas.
O casamento com Lourival durou 13 anos e a separação ocorreu quando ele se apaixonou por outra mulher. Em razão do grande sofrimento, e apesar de seu valor literário ser reconhecido não só no Brasil como na França, Adalgisa resolveu destruir a própria fama e renegar sua obra. A partir daí, tornou-se jornalista, escrevendo para o jornal Última Hora. Foi eleita deputada três vezes, primeiro pelo PSB e depois, no tempo do bipartidarismo, pelo MDB. Em 1969 teve o mandato e seus direitos políticos cassados.
Pobre e desamparada, sem ter onde morar, após em vida ter doado tudo para os filhos, passou parte dos anos 1975 e 1975 em uma casa do comunicador Flávio Cavalcanti, em Petrópolis, onde viveu como reclusa. Contrariando seu propósito de nunca mais dedicar-se à literatura, escreveu e publicou ainda dois livros de poesia, dois de contos, um de artigos e um romance, Neblina. O romance foi dedicado a Flávio Cavalcanti, reconhecido como "dedo-duro", em gratidão pelo acolhimento que lhe dera. No conflito entre o que seria "politicamente correto" e a lealdade a um amigo, Adalgisa escolheu, sem hesitar, o caminho do afeto. Em razão disso, o livro foi ignorado pela crítica.
Em maio de 1976, sem ter doença alguma, ela foi internada pelos filhos uma casa de repouso de idosos, em Jacarepaguá. Um ano mais tarde, sofreu um acidente vascular cerebral e ficou afásica e hemiplégica. Três anos mais tarde, Adalgisa faleceu.
(fonte: NET)

6 de Julho de 2009

FRANCYNE SCOVINO

Mulheres ocupam cada vez mais funções consideradas masculinas

Você pode encontrar Francyne Scovino, técnica em eletrotécnica da Ampla, concessionária de energia elétrica do Rio de Janeiro, a 11 metros de altura, sustentada por uma espécie de guindaste e mexendo com eletricidade. Isso não é trabalho para mulheres? Segundo a consultora de RH da Catho, Gláucia Santos, esta cena - e outras protagonizadas por mulheres que não temem o trabalho pesado - deve se tornar cada vez mais freqüente nos próximos anos. Mais preparadas, elas avançam no mercado de trabalho não só em direção a funções estratégicas, mas também operacionais. O motivo do sucesso dessa ofensiva é o mesmo nos dois casos: elas estão investindo mais em capacitação. Corajosas, elas não têm medo de riscos e trabalho pesado, a menos quando seu ofício interfira dentro de casa. Apenas em nome da família, elas são capazes de abrir mão de suas funções.
Além disso, o avanço tecnológico permite uma redução do esforço físico, o que leva a estratégia a se sobrepor à força. Resultado: profissões que antes eram exclusivamente masculinas ganham cada vez mais representantes do público feminino. Para Gláucia Santos, seja qual for o cargo pretendido, as mulheres chegam mais preparadas para disputar as vagas com os homens. Mesmo para funções operacionais, elas buscam especializações técnicas e acabam conquistando seu objetivo. A igualdade de condições, no entanto, ainda não é uma realidade plena. Segundo pesquisa realizada pela Catho em agosto de 2007 com mais de 12 mil profissionais - cerca de 67% homens e 33% mulheres -, elas ainda ganham cerca de 19% a menos . - Quem deseja entrar em ambientes que, ainda hoje, são masculinos deve ter em mente que possivelmente vai enfrentar mais dificuldades. Por isso, uma dose extra de determinação, além de cursos e certificações que atestem sua capacitação, são fundamentais - aconselha a consultora.

Francyne Scovino, técnica em eletrotécnica da Ampla é a única mulher numa equipe de mais de 60 funcionários, e se orgulha de sua função. Ela verifica se os medidores de energia estão dentro dos padrões estabelecidos pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). Isso inclui subir até 11 metros de altura para realizar o procedimento. - Já passei por algumas situações engraçadas. Já ouvi de um cliente que mandar uma mulher é uma estratégia da empresa, para os consumidores não terem coragem de reclamar - diverte-se Francyne . - E ouve também uma vez em que havia saído com uma equipe, com mais dois colegas, e já estava lá no alto quando ouvi um senhor brigando com eles por terem me deixado subir.

Segundo Francyne, o fato de estar num ambiente de trabalho masculino, ressalta ainda mais a feminilidade. Ela conta que nunca sofreu assédio nem sente discriminação por parte dos colegas: - Sinto a necessidade de destacar que sou mulher, e tenho o cuidado para não perder meus valores femininos. A maquiagem dá uma 'ajudinha' - brinca.

(Fonte: O GLOBO on line)

3 de Julho de 2009

SARA AFONSO

Sara Afonso(1899-1987)

Pintora e ilustradora portuguesa teve uma participação impar na vida artística dos anos trinta, embora se não possa dissociar a sua vida da do seu marido, José de Almada Negreiros.

Sara, nasceu em Lisboa numa família burguesa, filha de um oficial do Exército e de Alexandrina Gomes Afonso. Passou a infância no Minho, que a viria a inspirar em temas populares de grande beleza e ingenuidade. Em 1924, ainda solteira, partiu sozinha para Paris, depois de ter tido lições com o pintor Columbano Bordalo Pinheiro.

Paris foi uma experiência determinante, então também a cidade de Picasso e Hemingway. Ali expôs com sucesso no Salon d'Automne.

Regressou a Portugal e, à sua custa, voltou para Paris entre 1928 e 1929, trabalhando no atelier de uma modista fazendo croquis de moda, gosto que lhe ficou, tendo colaboraria mais tarde com desenhos de moda para revistas portuguesas. Sara Afonso de regresso a Lisboa seria a primeira mulher a frequentar o café A Brasileira do Chiado, então exclusiva do sexo masculino.

Contemporânea de Bernardo e Ofélia Marques, Carlos Botelho e outros. Era previsível que havia de casar com um pintor. Participou no primeiro Salão de Artistas Independentes em 1930.
Casou aos 35 anos com José de Almada Negreiros. Sara Afonso conciliou a sua vida de mãe de família e de pintora. Fez uma exposição individual, em 1939 e participou na Exposição do Mundo Português, em 1940. Em 1944 recebeu o Prémio Sousa Cardoso.
Em 1953 integrou a delegação portuguesa à Bienal de São Paulo. Não deixou de pintar até quase ao fim dos seus dias. Fez retrospectivas dos seus trabalhos em 1953, 1962, 1975 e 1980. Sara Afonso dedicou especial atenção às festas populares e às tradições portuguesas em cores doces e luminosas. Por ocasião do centenário do seu nascimento, em 1999, realizaram-se exposições comemorativas em Viana do Castelo e Porto.


Fonte:Net


30 de Junho de 2009

GERTRUDE STEIN

Gertrude Stein (nasceu a 03 de fevereiro de 1874, em Pittsburgh, EUA, - faleceu em 27 de julho de 1946, em Paris, França. Foi uma escritora, poeta e feminista

Tinha um apreciável círculo de amigos, como Pablo Picasso, MAtisse, Georges Braque, Derain, Juan Gris, Apollinaire, Francis Picábia, Ezra Pound, Ernest Hemingway e James Joyce, isso apenas pra citar alguns.

Miss Stein era realmente genial e escreveu "Autobiografia de Alice B. Toklas", livro fundamental da vanguarda dos anos 1910, 20 e 30. Com estilo muito próprio, a narrativa conta como jovens artistas e escritores vindos das mais diversas partes do mundo se encontram em Paris e detonam novos caminhos para a arte. Picasso vinha da Catalunha, Joyce da Irlanda, ela própria vinha da América, Nijinski era russo, havia vários franceses, como Cocteau, Apollinaire, Matisse. É bom lembrar que, apesar do nome, o livro foi escrito por Miss Stein, tendo como porta-voz Alice B. Toklas, sua companheira durante vinte e cinco anos. Compondo um interessante painel das três primeiras décadas deste século: "Gertrude Stein e o irmão visitavam frequentemente os Matisse que constantemente retribuíam as visitas. De vez em quando Madame Matisse convidava-os para almoçar, o que acontecia principalmente quando recebia alguma lebre de presente. Lebre estufada feita por Madame Matisse à moda de Perpignan era algo fora do comum. Tinha também vinho de primeira, um pouco pesado, mas excelente". Durante esse tempo Miss Stein e sua companheira Alice viveram no número 27, rue de Fleurus. Este endereço se tornaria lendário e um importante ponto de encontro desses "gênios".

Gertrude Stein seria a primeira a pendurar em sua parede pinturas de Juan Gris, Matisse e Picasso. Mais tarde romperia com muitos deles, inclusive com Picasso, por quem manteve grande afeição. Antes porém, posaria noventa e três vezes para que o artista catalão desse por finalizado o seu retrato: "Mas em nada se parece comigo, Pablo" disse ela. "Mas certamente vai parecer ,Gertrude, certamente..." respondeu o pintor. O rompimento dos dois se daria apenas em 1927, por ocasião da morte de Juan Gris. Gertrude acusou Picasso de não ter estimado Gris o bastante, ele retrucou e os dois tiveram um belo e histórico bate-boca.

Miss Stein adorava fazer provocações. A palavra génio exercia mesmo uma influência considerável em sua vida. Afinal era uma escritora de estilo bastante peculiar e engenhoso, a inventora da escrita automática. Assim os intelectuais de seu tempo perguntavam se ela era mesmo gênio ou não passava de uma impostora. Ela dava o troco:"Ser gênio exige um tempo medonho, indo de um lugar a outro sem nada fazer", ou então:" um gênio é um gênio, mesmo quando nada faz".

Com a Primeira Guerra Mundial, Miss Stein e Alice viveram sua aventura alistando-se no F.A.F.F, um Fundo de proteção aos americanos que então viviam na Europa, dando folga a seus embates artísticos e literários, a aventura é narrada na Autobiografia. Após a guerra a vida voltou ao normal mas tudo já estava transformado para sempre, inclusive e principalmente Paris. Não tanto a fachada e a arquitetura da cidade, mas as pessoas e o ritmo da vida.

(Fonte: Net)

27 de Junho de 2009

DOLORES DURAN

Aos doze anos, Adiléa da Silva Rocha atuava no Teatro da Tia Chiquinha, um programa infantil da Rádio Tupi carioca. Com a morte de seu pai, Armindo, sua mãe, Josefa, pediu aumento ao diretor da rádio, Olavo de Barros. Ele arrumou para a garota um lugar na companhia infantil do Teatro Carlos Gomes.Desde os três anos de idade Dolores já cantava. Aos cinco, participava das festas populares de reisado e do grupo de pastorinhas, realizadas no bairro da Saúde, centro do Rio de Janeiro.A menina gostava de ouvir discos estrangeiros, e aprendeu a interpretar em inglês, francês, italiano e espanhol. Aos 16 anos, foi contratada pela Boate Vogue e passou a se chamar Dolores Duran. Nesta fase de shows noturnos, ela conheceu Ella Fitzgerald, que elogiou sua interpretação de "My Funny Valentine".Em 1951, gravou o primeiro disco com sambas, pela gravadora Star. Em 1954, foi contratada pela Copacabana, e gravou uma série de sucessos em samba-canção, como "Tradição", de Ismael Silva, e "Praça Mauá", de Billy Blanco. Casou-se em 1955 com Macedo Neto.Em parceria com Tom Jobim, compôs sua primeira música: "Se é por falta de adeus", gravada por Dóris Monteiro. Em 1956, gravou um de seus sucessos como intérprete, o baião "A Fia de Chico Brito", de Chico Anysio; integrou a Caravana de Paulo Gracindo em circos nos subúrbios cariocas; e viajou para Argentina e Uruguai com o violonista Bola Sete e seu conjunto.Em março de 1957, Dolores ficou encantada com "Por causa de você", uma melodia de Tom Jobim com letra de Vinícius de Moraes. Ela fez uma letra alternativa. O poetinha, sem hesitar, rasgou seu texto e admitiu que a dela era bem melhor. No mesmo ano, a cantora compôs, em parceria com Jobim, o samba-canção "Estrada do Sol".Após uma turnê pela então União Soviética e Paris, em 1958, compôs "Castigo", um samba-canção que fez sucesso na voz da cantora Maysa. Em 1959, veio seu grande sucesso: "A Noite do Meu Bem". No mesmo disco, gravou outro grande sucesso de sua autoria, o samba canção "Fim de caso". Lançou o LP "Esse Norte é minha sorte".Em 23 de outubro de 1959, com 29 anos, chegou em casa às 7:00 da manhã, e disse a sua empregada: "Não me acorde. Estou cansada. Vou dormir até morrer". Morreu mesmo durante o sono.Somente depois de sua morte prematura passou a ser cultuada como compositora. Em 1960, Lúcio Alves gravou um LP dedicado às suas obras. Em 1970, o teatrólogo Paulo Pontes escreveu e produziu o show "Brasileiro, Profissão Esperança", com músicas de Dolores Duran, estrelado por Maria Bethânia e Raul Cortez, com direção de Bibi Ferreira. Em 1971, o cantor norte americano Frank Sinatra, gravou a versão de "Por Causa de Você", com o título "Don't Ever Go Away".

(Fonte: Net)

24 de Junho de 2009

MARIA VELEDA

Maria Veleda (1871-1955
Professora, feminista, republicana, livre-pensadora e espiritualista

Maria Veleda foi uma mulher pioneira na luta pela educação das crianças e os direitos das mulheres e na propaganda dos ideais republicanos, destacando-se como uma das mais importantes dirigentes do primeiro movimento feminista português.

Tendo-se estreado na imprensa algarvia e alentejana com a publicação de poesia, contos e novelas, dedicou-se depois aos temas feministas e educativos. Na linha da escola moderna de Francisco Ferrer, defendia a educação laica e integral, em que se aliassem a teoria e a prática, a liberdade, a criatividade, o espírito crítico e os valores éticos e cívicos. Num tempo em que a literatura infantil quase não existia em Portugal, publicou, em 1902, uma colecção de contos para crianças, intitulada «Cor-de-Rosa» e o opúsculo “Emancipação Feminina”.

Em 1909, por sua iniciativa, a «Liga Republicana das Mulheres Portuguesas» fundou a «Obra Maternal» para acolher e educar crianças abandonadas ou em perigo moral, instituição que se manterá até 1916, graças à solidariedade da sociedade civil e às receitas obtidas em saraus teatrais, cujas peças dramáticas e cómicas Maria Veleda também escrevia e levava à cena. Em 1912, o governo nomeou-a Delegada de Vigilância da Tutoria Central da Infância de Lisboa, instituição destinada a recolher as crianças desamparadas, pedintes ou delinquentes, cargo que ocupou até 1941.

Consciente da situação de desigualdade em que as mulheres viviam, numa sociedade conservadora e pouco aberta à mudança, iniciou, nos primeiros anos do século XX, um dos maiores combates da sua vida: defender a igualdade de direitos jurídicos, cívicos e políticos entre os sexos. Numa época em que as mulheres estavam, por imperativos económicos, sociais e culturais, confinadas à esfera doméstica, criou cursos nocturnos no Centro Republicano Afonso Costa, onde era professora do ensino primário, e nos Centros Republicanos António José de Almeida e Boto Machado, para as ensinar a ler e a escrever e as educar civicamente, preparando-as para o exercício de uma profissão e a participação na vida política.

Entre 1910 e 1915, como dirigente da «Liga Republicana das Mulheres Portuguesas» e das revistas A Mulher e a Criança e A Madrugada, empenhou-se na luta pelo sufrágio feminino, escrevendo, discursando, fazendo petições e chefiando delegações e representações aos órgãos de soberania. Combateu a prostituição, sobretudo, a de menores, e o direito de fiança por abuso sexual de crianças. Fundou o “Grupo das Treze” para combater a superstição, o obscurantismo e o fanatismo religioso que afectava sobretudo as mulheres e as impedia de se libertarem dos preconceitos sociais e da influência clerical que as mantinham submetidas aos dogmas da Igreja e à tutela masculina.

Convertida ao livre-pensamento e iniciada na Maçonaria, em 1907, aderiu também aos ideais da República e tornou-se oradora dos Centros Republicanos, escolas liberais, associações operárias e intelectuais, grémios, círios civis e comícios do Partido Republicano, da Junta Federal do Livre-Pensamento e da Associação Promotora do Registo Civil. Alguns destes discursos e conferências foram publicados no livro A Conquista, prefaciado por António José de Almeida.
O combate à monarquia e ao clericalismo valeu-lhe a condenação por abuso de liberdade de imprensa, em 1909, além das constantes perseguições e ameaças de morte, movidas por alguns sectores católicos e monárquicos mais conservadores.

Depois da implantação da República, por ocasião das incursões monárquicas de Paiva Couceiro, integrou o Grupo Pró-Pátria e percorreu o país em missão de propaganda, discursando em defesa do regime ameaçado. Em 1915, em consonância com o Partido Democrático de Afonso Costa, juntou-se aos conspiradores na preparação do golpe revolucionário que destituíu o governo ditatorial do General Pimenta de Castro e, a seguir, envolveu-se na propaganda a favor da entrada de Portugal na 1ª. Guerra Mundial.

Nesse mesmo ano, saíu da «Liga», filiou-se no Partido Democrático e fundou a «Associação Feminina de Propaganda Democrática», cuja acção terminou em 1916, em nome da “União Sagrada” de todos os portugueses, na defesa dos interesses da Pátria ameaçada.

Desiludida com a actuação dos governos republicanos que não cumpriram as promessas de conceder o voto às mulheres nem souberam orientar a República de modo a estabelecer as verdadeiras Igualdade, Liberdade e Fraternidade e construir uma sociedade mais justa e melhor, abandonou o activismo político e feminista em 1921, após os acontecimentos da “noite sangrenta”. Fez-se jornalista do Século e de A Pátria de Luanda, onde continuou a defender os ideais feministas e republicanos que sempre a nortearam.

Atraída pelos caminhos da espiritualidade e do esoterismo e preocupada com o sentido da existência humana, aderiu ao espiritismo filosófico, científico e experimental. Fundou o «Grupo Espiritualista Luz e Amor» e, em 1925, dinamizou a organização do I Congresso Espírita Português e participou na criação da Federação Espírita Portuguesa. Fundou as Revistas A Asa, O Futuro e A Vanguarda Espírita e colaborou na imprensa espiritualista de todo o país, publicando poesia e artigos de pendor reflexivo e memorialista. Em 1950, publicou as «Memórias de Maria Veleda» no jornal República.

Maria Veleda dedicou a vida aos ideais de justiça, liberdade, igualdade e democracia e empenhou-se na construção de uma sociedade melhor, onde todos pudessem ser felizes. Semeou ideias, iniciou processos de mudança nas práticas sociais e lançou o debate sobre os lugares, os papéis e os poderes de mulheres e homens num mundo novo.
Texto de: Natividade Monteiro

21 de Junho de 2009

ZÉLIA GATTAI

Zélia Gattai, filha de imigrantes italianos, cresceu em São Paulo e, com a família, participou do movimento anarquista, que contava com adesões entre os imigrantes italianos, espanhóis e portugueses, no início do século 20. Aos 20 anos, casou-se com o intelectual e militante comunista Aldo Veiga, com quem teve o filho Luiz Carlos, em 1942.Zélia conheceu seu segundo marido, Jorge Amado em 1945, quando ambos trabalhavam pela anistia dos presos políticos. A partir de então, Zélia trabalhou ao lado do marido, auxiliando no processo de preparação e revisão dos originais de seus livros.Em 1946, com a eleição de Jorge Amado para a Câmara Federal, o casal mudou-se para o Rio de Janeiro, onde nasceu o filho João Jorge, em 1947. Um ano depois, com o Partido Comunista declarado ilegal, Jorge Amado perdeu o mandato, e a família foi para o exílio em Paris, onde permaneceu por três anos.Nesse período Zélia fez os cursos de Civilização Francesa, Fonética e Língua Francesa, na Sorbonne. Depois a família viveu na Tchecoslováquia por dois anos, onde nasceu a filha Paloma. No exílio Zélia começou a fazer fotografias, registrando, em imagens, os momentos importantes da vida do escritor baiano. Na Europa o casal conheceu personalidades como Pablo Neruda, Jean-Paul Sartre e Picasso, entre outras.Retornando ao Brasil em 1952, Zélia foi morar no apartamento do sogro, no Rio de Janeiro. Em 1963, fixou residência na casa do Rio Vermelho, em Salvador na Bahia, onde tinha um laboratório, tendo lançado a fotobiografia de Jorge Amado intitulada "Reportagem Incompleta".Aos 63 anos de idade, começou a escrever suas memórias. O livro de estréia - "Anarquistas, Graças a Deus" - recebeu o Prêmio Paulista de Revelação Literária de 1979. Alguns de seus livros foram traduzidos para o francês, o italiano, o espanhol, o alemão e o russo.No dia 06 de agosto de 2001 Zélia perdeu seu companheiro. No mesmo ano foi eleita para a Academia Brasileira de Letras, para a cadeira 23, anteriormente ocupada por Jorge Amado, que teve Machado de Assis como primeiro ocupante e José de Alencar como patrono.Em 31 de março de 2008, a escritora foi internada com dores abdominais no Hospital Aliança, em Salvador. A situação de Zélia se agravou e no dia 17 de abril a escritora foi transferida para o Hospital da Bahia, onde passou por uma cirurgia de desobstrução do intestino. Ao longo do procedimento, foi confirmada a existência de um tumor benigno, que foi retirado.Em 16 de maio desse ano, o estado de saúde da escritora, que respirava com a ajuda de aparelhos, se agravou, com "piora hemodinâmica progressiva que evoluiu para o quadro clínico de choque", além de "piora significativa da função renal", segundo o boletim assinado pelos médicos Jadelson Andrade, Jorge Pereira e Izio Kowes, do Hospital da Bahia. Segundo boletim divulgado na manhã do dia seguinte, Zélia, sedada, apresentava quadro clinico de choque circulatório irreversível. Ao final da tarde, foi divulgada sua morte.Entre suas obras, além das já mencionadas, podem citar-se: "Um Chapéu para Viagem", 1982 (memórias); "Jardim de Inverno", 1988 (memórias); "Pipistrelo das Mil Cores", 1989 (infantil); "Crônica de uma Namorada", 1995 (romance); "A Casa do Rio Vermelho", 1999 (memórias); "Vacina de Sapo e Outras Lembranças", 2005 (memórias).

(fonte: NET)

18 de Junho de 2009

A CONQUISTA DAS MULHERES POR DIREITOS IGUAIS (POR, ANTONIO CARLOS OLIVIERI)

Lucrécia Bórgia, uma mulher fatal da sociedade renascentista
Consagrado internacionalmente à mulher pela ONU, no ano de 1975, o 8 de março representa um marco no movimento feminino para adquirir direitos iguais ou semelhantes ao dos homens nos planos político, jurídico, trabalhista e civil. Mais que discorrer sobre a data comemorativa, vale a pena aproveitá-la para repassar, panoramicamente, o papel da mulher na sociedade humana, da Antigüidade aos tempos atuais.Segundo os historiadores, sistemas matriarcais podem ter existido na Idade do Bronze (cerca de 3000 a.C. a 700 a.C.), em Micenas ou Creta. No entanto, nas antigas sociedades mediterrâneas mais conhecidas, como a da Grécia clássica (séculos 5 e 4 a.C.) ou as do período helenístico (séculos 3 a 1 a.C.), a mulher vivia uma condição legal limitada e sem direitos políticos.Não se tratava, porém, de uma situação uniforme: em algumas cidades (pólis) gregas ou do Egito, o sexo feminino tinha certos direitos de propriedade ou de igualdade legal. Em geral, porém, a mulher dependia do pai e do marido e sua ação se restringia ao âmbito da casa. Os casamentos eram arranjados entre o noivo, ou o pai deste, e o pai da noiva. As viúvas e seus bens passavam para os cuidados do parente mais próximo na linha de sucessão e estes, se quisessem, podiam tomá-las como esposas.De Aspásia a LíviaPor outro lado, convém lembrar que a história e a literatura não deixam de registrar exceções ilustres. Aspásia, esposa do estadista democrático ateniense Péricles (séc. 5 a.C.), celebrizou-se como mulher de cultura, respeitada no círculo filosófico de Sócrates. Além disso, a comédia "Lisístrata", de Aristófanes - da qual existe uma excelente adaptação de Millôr Fernandes -, retrata as mulheres de Atenas num papel paradoxalmente ativo.Para acabar a guerra contra Esparta, Lisístrata comanda uma greve de sexo, que - pondo os homens diante do dilema combater ou transar - obriga os atenienses a pôr fim às hostilidades. Trata-se de ficção, sem dúvida, mas que elogia a sensatez das mulheres e sugere que elas, melhor do que os homens, poderiam administrar as questões políticas da humanidade.Alguns séculos se passariam até que isso acontecesse e as mulheres virassem protagonistas da política - embora não muito melhores do que os homens, em termos de ética. Em Roma, Lívia (58 a.C-29d.C), mulher do imperador Augusto e mãe de seu sucessor, Tibério, conhecia muito bem os negócios do estado e foi praticamente sócia de seu filho no exercício do poder.Agripina e NeroTambém não se pode deixar de mencionar Agripina (15-59 d.C), mulher do imperador Cláudio e mãe de Nero, que também governou Roma e exerceu papel político até ser assassinada a mando do filho.Note-se, porém, que o poder político das mulheres romanas era exercido indiretamente, por meio de seus parentes homens, e que tanto em Roma como na Grécia, quando se fala em liberdade para as mulheres, a referência é às classes altas ou médias.As mulheres de classe baixa só desfrutavam de alguma igualdade com os homens no campo trabalho, que era duro e penoso. Além disso, já vigorava a famosa "dupla jornada", pois além de ganhar o pão, cabia às mulheres o cuidado com os filhos e serviços como cozinhar, fiar e tecer."A Cidade das Damas"Pode parecer incrível, mas datam da baixa Idade Média as mais remotas idéias feministas. Christine de Pisan (1364-1430) foi a primeira escritora profissional francesa, autora de poemas e de tratados de política e de filosofia. Sua erudição, segundo consta, ultrapassa à dos homens que lhe foram contemporâneos em seu país.Sua obra prima intitula-se significativamente "Cidade das Damas", e fala da igualdade natural entre os sexos, além de registrar vidas femininas exemplares. Além disso, não por acaso, Pisan escreveu também uma biografia de Joana D'Arc (1412-1431), a padroeira da França e heroína da Guerra dos 100 anos.Durante o Renascimento houve um retrocesso da condição social da mulher, que teve restrito seu acesso aos estudos e ao exercício de diversos ofícios e profissões. O mercantilismo confirma o homem como protagonista da história e devolve as damas ao recesso do lar. Mas não se pode deixar de mencionar figuras femininas incríveis, como Lucrecia Bórgia (1480-1519), filha do papa Alexandre 6º., uma legendária "mulher fatal" que aliou beleza e poder de sedução para tornar-se instrumento da política de seu pai e de seu irmão.É o também caso de Catarina de Médici (1519-1589), originária da poderosa família florentina. Ela se tornou rainha da França, ao se casar com o duque de Orléans (futuro rei Henrique 2º.), e exerceu a chefia de Estado, como regente, de 1560 a 1574, com arbitrariedade e despotismo. Ao mesmo tempo, edificou em Paris o palácio das Tulherias, ampliou o acervo da biblioteca parisiense, ordenou a ampliação do Louvre e contribuiu para o engrandecimento da cidade.Direitos das mulheresTodavia, só se pode falar em reivindicação dos direitos da mulher a partir do século 18, com o advento do Iluminismo e da Revolução Francesa. Datam dessa época as primeiras obras de caráter feminista, escritas por mulheres como as inglesas Mary Wortley Montagu (1689-1762) e Mary Wollstonecraft (1759-1797). Esta última escreveu o livro "Em Defesa dos Direitos das Mulheres" (além de - só por curiosidade - ser a mãe de Mary Shelley, a autora de "Frankenstein").No século 19, no contexto da Revolução Industrial, o número de mulheres empregadas aumentou significativamente. Foi a partir desse momento, também, que as ideologias socialistas se consolidaram, de modo que o feminismo se fortificou como um aliado do movimento operário. Nesse contexto realizou-se a primeira convenção dos direitos da mulher em Seneca Falls, Nova York em 1848.Também em Nova York, em 1857, aconteceu o movimento grevista feminino que, reprimido pela polícia, resultou num incêndio que ocasionou a morte de 129 operárias, justamente no dia 8 de março. A data e o número de mortes, porém, são controversos: o incêndio teria ocorrido numa greve de 25 de março de 1911 e seriam 140 as sua vítimas (26 homens).Para os defensores dessa versão, a greve de 1857 foi pioneira, mas não resultou na catástrofe. Pelo pioneirismo, o seu dia inicial foi proposto como data comemorativa pela comunista alemã Clara Zetkin, no 2º. Congresso das Mulheres Socialistas, de 1910. Posteriormente, as duas greves se confundiram no imaginário social e o que aconteceu, de fato, a 25 de março de 1911, foi transferido para o dia 8 do mesmo mês várias décadas antes."O Segundo Sexo"É importante esclarecer que, se a luta das mulheres pela diminuição da assimetria na relação com os homens ganhou impulso na virada dos séculos 19 e 20, ela se estendeu ao longo de todo o século passado, atingindo seu ápice na década de 1960, que foi marcada por uma ampla revolução no âmbito dos costumes.Datam dessa época movimentos femininos como o NOW - National Organization of Women, comandado pela norte-americana Betty Friedan, e obras como "O Segundo Sexo", da filósofa francesa Simone de Beauvoir (1908-1986), que demonstra que a hierarquia entre os sexos não é uma fatalidade biológica, mas uma construção social.Nísia FlorestaÉ impossível finalizar sem registar que a luta das mulheres não terminou, pois o machismo ainda é grande em grande parte do mundo, em especial nos países africanos, asiáticos e latinos, entre os quais o Brasil. Aqui, para citar somente um exemplo, as estatísticas de violência doméstica contra a mulher apontam grandes e graves problemas nesse sentido.Mas justamente no Brasil, ainda no século 19, atuou uma das grandes pioneiras da emancipação feminina, injustamente esquecida pela maioria dos seus compatriotas: nascida no Rio Grande do Norte, Nísia Floresta (1810-1885) foi uma das principais personalidades que introduziram o feminismo no país. Ela atuou como educadora, jornalista, tradutora, escritora e poetisa. Residiu no nordeste e sul do país mas também passou boa parte de sua vida na Europa, especialmente na França, onde morreu. Uma mulher notável, que bem merecia ser tema de pesquisas escolares.
*Antonio Carlos Olivieri é escritor, jornalista e diretor da Página 3 Pedagogia & Comunicação. olivieri@pagina3ped.com

15 de Junho de 2009

AS MULHERES NEGRAS SÃO AS MAIS DISCRIMINADAS (POR, GRASIELA CARDOSO)

As mulheres, principalmente as negras, são as que mais sofrem desigualdade social. Elas recebem menos que os homens mesmo tendo um grau de escolaridade superior ao deles. Esse é um dos fatos que se repete nas maiores empresas brasileiras, segundo a pesquisa “Perfil Social e de Gênero das 500 maiores Empresas do Brasil”, coordenada pelo Instituto Ethos.
Foram analisados diversos outros tópicos dentro dessas companhias: composição de gênero e raça, presença de pessoas portadores de deficiência, escolaridade e faixa etária dos funcionários de todos os níveis (executivo, gerência, chefia e funcional). Os dados levantados são alarmantes.
É baixo o índice contratação dos portadores de deficiência. O grau de escolaridade é pequeno e existe preconceito a pessoas maiores de 46 anos. Por essas razões, a entidade quer preparar os profissionais com essas características para que diminua o preconceito.
“A medida que aumenta o cargo, exige-se uma escolaridade maior, por isso, precisamos preparar essas pessoas”, disse o coordenador e colaborador da entidade, Paulo Itacarambi. A idéia é que as empresas adotem medidas como a diversidade como um parâmetro orientador de desenvolvimento, manutenção, plano de carreira e remuneração de pessoas, incluindo programas de integração a diversidade.
A proposta é desencadear uma série de ações promovendo a diversidade e a equidade nas empresas para que elas possam ser estimuladas a combater todas as desigualdades existentes. Esse foi o principal objetivo da pesquisa.
Para Armand Pereira, cordenador da OIT (Organização Internacional do Trabalho), a discriminação começa na educação e depois passa para o mercado de trabalho, por isso, as políticas empresariais são necessárias para a sociedade: “Temos muito que explorar e avançar, as ações positivas com metas são inefalíveis”, explica.
A pesquisa foi feita pelo Instituto Ethos em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para as Mulheres (Unifem).
(Grasiela Cardoso – 04/12/03)